Brasil pode ter 1ª onda de tempestades sob efeito do El Niño nesta semana

Por Estadão Conteúdo 13/07/2026 - 19:42 hs
Foto: 10.05.2024-Volmer Perez/AGIF/Folhapress
Brasil pode ter 1ª onda de tempestades sob efeito do El Niño nesta semana
Rio Grande do Sul deve ser o estado mais afetado pelas tempestades; acima, enchente atinge Pelotas

Uma onda de tempestades deve atingir a partir desta semana o Sul do Brasil e países vizinhos, marcando o primeiro episódio de tempo severo associado ao El Niño de 2026-2027 na América do Sul.

Segundo a MetSul Meteorologia, as chuvas fortes podem perdurar por vários dias, de quinta-feira até pelo menos a terça-feira, afetando principalmente o Rio Grande do Sul, além de Uruguai e Argentina.

Ainda conforme análise da empresa, as condições devem aumentar significativamente o risco de formação de "supercélulas de tempestades com vendavais destrutivos, granizo grande e fenômenos severos e isolados de vento, como microexplosões e tornados" na região do Cone Sul.

A MetSul prevê volumes de 100 mm a 200 mm em vários municípios gaúchos até a metade da próxima semana, com risco de algumas áreas acumularem até 200 mm a 300 mm, ou mais. Há possibilidade de subida de rios, alagamentos em áreas urbanas e rurais com transbordamento de arroios e córregos com perigo de inundações repentinas.

Várias outras ondas desse tipo são projetadas para os próximos meses, especialmente no final do inverno e durante a primavera.

O coordenador geral de Operações e Modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Marcelo Seluchi, lembra que durante anos de El Niño há maior probabilidade de chuvas mais intensas concentradas em um único dia ou em dias consecutivos, com riscos de impacto de inundações e deslizamentos e de envio de alertas para a região Sul.

"Houve uma ampliação da rede de monitoramento em todo o Brasil e, na região Sul, foram reinstalados os equipamentos danificados em 2024. Do nosso ponto de vista, o melhor que podemos fazer é manter a rede de observação em condições", disse Seluchi ao Estadão. "Também existem redes de outros centros, de outras instituições que fazem medições de precipitação ou altura de rios, nós recebemos dados dessas redes, temos os protocolos, temos o pessoal aqui na sala (de situação) monitorando como sempre fazemos, nos 365 dias do ano."

Como as tempestades vão se formar

Com o início da semana sob influência de uma massa de ar frio, a entrada de ar muito quente em altitude a partir de quarta-feira formará áreas de instabilidade com chuva e temporais.

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