O grande ‘cabo eleitoral’ que Alexandre de Moraes deu a Flávio Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro ganhou um importante ativo político com a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de proibir, por 90 dias, suas visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Essa é a avaliação do colunista Robson Bonin, feita no programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal. Segundo ele, embora a medida fosse previsível após a divulgação da carta escrita por Bolsonaro, ela fortalece a narrativa de perseguição que o bolsonarismo pretende explorar durante a campanha. (este texto é um resumo do vídeo acima)
Para Bonin, a decisão acaba devolvendo ao grupo político um de seus principais instrumentos de mobilização eleitoral: o embate com o Supremo. “Resgatou o seu principal cabo eleitoral, aquilo que o bolsonarismo acredita que vai fazer diferença nessa campanha eleitoral, que é a guerra com o Supremo”, afirmou.
O que Flávio Bolsonaro buscava ao divulgar a carta?
Na avaliação do colunista, a divulgação da carta cumpria mais de uma função política. Além de transmitir à militância o recado de que Jair Bolsonaro o escolheu para ser o principal porta-voz da direita na campanha, Flávio também reforçava sua posição dentro do próprio bolsonarismo, em meio às disputas internas pelo protagonismo político.
Bonin afirmou ainda que a reação de Moraes era esperada porque o senador “claramente e dolosamente” descumpriu uma determinação do ministro ao divulgar o conteúdo da carta.
Por que o discurso de perseguição ganha força?
Segundo Bonin, a consequência política da decisão interessa ao bolsonarismo porque permite sustentar que a disputa eleitoral deixou de ocorrer em igualdade de condições.
“Tudo que o Flávio precisava era uma decisão que desse para ele esse argumento de que a disputa eleitoral daqui para frente vai ser menos igual do que poderia ser se o Supremo não tivesse interferido.”
Na análise do colunista, o grupo político deverá argumentar que Flávio Bolsonaro foi privado do contato com seu principal cabo eleitoral, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conta com o apoio direto de seus aliados durante a campanha.
O que a eleição de 2018 tem a ver com o caso?
Para sustentar esse argumento, Bonin lembrou que, na eleição de 2018, Lula recebeu visitas enquanto estava preso e manteve contato político com Fernando Haddad, então candidato do PT à Presidência. Segundo o colunista, o bolsonarismo deverá usar essa comparação para reforçar a narrativa de que Jair Bolsonaro estaria recebendo tratamento diferente por parte do Judiciário.
Na avaliação de Bonin, o episódio marca “o início de mais uma novela” entre o bolsonarismo e o STF e tende a manter o confronto com Alexandre de Moraes no centro da estratégia política do grupo durante a campanha.



Paulo Sergio de Carvalho - Quando uma voz se cala, nasce uma lenda: adeus, Cid Carvalho