Convenções partidárias: período para partidos escolherem candidatos começa nesta segunda (20)
No dia
4 de outubro, os brasileiros vão às urnas para escolher deputados estaduais,
deputados federais, senadores, governadores e um presidente. Mas antes do
eleitor definir o voto, os partidos precisam definir quem vai
representá-los nas urnas. Essa definição ocorre durante as
chamadas convenções partidárias. No Ceará, sete pré-candidatos ao Governo
do Estado podem ter os nomes confirmados nos próximos dias.
A
partir desta segunda-feira (20), os partidos podem realizar suas convenções. O
prazo para realização vai até o dia 5 de agosto. É na convenção que são
definidas as chapas eleitorais. Após a definição dos nomes, os partidos têm até
o dia 15 de agosto para submeter as candidaturas junto à Justiça
Eleitoral. A campanha, então, começa oficialmente no dia 16 de agosto.
Nas
convenções, partidos e as federações (que são uniões de partidos para concorrer
às eleições) definem quem disputará os cargos de presidente, governador,
senador, deputado federal, deputado estadual e deputado distrital. As
convenções podem ser realizadas de forma presencial, virtual ou ter formato
híbrido.
📍No Ceará, sete partidos
já informaram que vão lançar candidatos ao Governo do Estado. Como já definiram
as candidaturas internamente com antecedência, as convenções vão formalizar os
nomes. Entre eles estão:
- Partido dos Trabalhadores (PT): convenção
marcada para 01/08, que deve confirmar o nome do governador Elmano de
Freitas como candidato à reeleição;
- Partido da Social Democracia Brasileira
(PSDB): convenção marcada para 20/07, que
deve confirmar o nome de Ciro Gomes como candidato a governador;
- Partido NOVO: data
da convenção ainda não foi confirmada. O senador Eduardo Girão foi lançado
como candidato a governador;
- Partido Socialismo e Liberdade
(PSOL): data da convenção ainda não foi
confirmada. Jarir Pereira é apontado candidato a governador;
- Partido da Renovação Democrática
(PRD): convenção marcada para 25/07. O
ex-vice-prefeito de Juazeiro do Norte Giovanni Sampaio é apontado como
candidato a governador;
- Partido Socialista dos Trabalhadores
Unificado (PSTU): convenção marcada para 01/08.
Zé Batista é apontado como candidato a governador;
- Partido Missão: data
da convenção ainda não foi confirmada. Delegado Huggo Leonardo é apontado
como candidato a governador.
Eleições de 2026 vão definir novos deputados estaduais, federais, senadores, governadores e presidente — Foto: Reprodução/TRE-RN
🗓️Calendário
eleitoral de 2026:
- 👥20
de julho a 5 de agosto: Convenções partidárias
- 📬15
de agosto: Último dia para registrar candidaturas
- ✅16
de agosto: Início da propaganda eleitoral nas
ruas e na internet
- 📺28
de agosto: Início da propaganda eleitoral gratuita na
rádio e na TV
- 👮♀️19
de setembro: Candidatas e candidatos não podem
ser detidos ou presos, a não ser em flagrante delito
- 🚫3
a 5 de outubro: Proibição total de transporte de
armas e munições por colecionadores, atiradores e caçadores (CACs) em todo
o território nacional
- 📣🗳️4
de outubro: Primeiro turno das eleições
- 📺9
de outubro: Início da propaganda eleitoral
gratuita na rádio e na TV em caso de segundo turno
- 🚫24
a 26 de outubro: Nova proibição total de transporte de
armas e munições por colecionadores, atiradores e caçadores (CACs) em todo
o território nacional
- 📣🗳️25
de outubro: Segundo turno das eleições
🧐Como
funcionam as convenções?
Cada
partido ou federação pode definir as próprias regras para escolher seus
candidatos. Apesar disso, as convenções devem seguir algumas regras
definidas pela Justiça Eleitoral, já que as definições das convenções têm
implicações diretas nas eleições, como a escolha dos candidatos, a escolha dos
números deles nas urnas e, mais tarde, a distribuição da verba de campanha.
Por
exemplo, no caso das candidaturas proporcionais (como deputados), os partidos
devem respeitar a cota de gênero definida por lei, com mínimo de 30% e máximo
de 70% de candidaturas de cada sexo. Partidos que não cumprem a regra podem ser
punidos com a perda dos mandatos.
Durante
as convenções, as siglas devem elaborar uma ata com as decisões tomadas,
informando, por exemplo, o local, a data e o horário da reunião, a lista de
presenças, o responsável pela condução dos trabalhos e a lista dos candidatos
escolhidos. A ata da convenção é um dos documentos que os candidatos
devem apresentar à Justiça Eleitoral quando vão registrar sua candidatura
oficialmente.
🔎Como
está o cenário no Ceará?
Até o momento, Ceará tem 7 pré-candidatos ao Palácio da Abolição, sede do governo estadual — Foto: Fabiane de Paula/SVM
No
Ceará, sete partidos apresentaram pré-candidatos ao Palácio da Abolição. Conforme
a última pesquisa Quaest para a o governo estadual, três candidatos têm
pontuado melhor até o momento: o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), com 41%; o
governador Elmano de Freitas (PT), com 31%; e o senador Eduardo Girão (Novo),
com 5%.
Para o
cientista político Cleyton Monte, a eleição deste ano deve ser uma das mais
acirradas do estado e vai indicar até que ponto a disputa presidencial pode
influenciar os cenários estaduais. “A grande questão aqui no Ceará e em
outros estados também é a que ponto nós teremos uma disputa nacionalizada”,
considera Clayton.
Na
disputa cearense, o tucano Ciro Gomes tem o apoio do PL do senador Flávio
Bolsonaro, apesar de já ter afirmado que não irá apoiar a campanha presidencial
de Flávio. Enquanto o petista Elmano tem o apoio de Lula e deve usar a imagem
do presidente – no Nordeste, Lula possui uma aprovação de 61%, segundo a
Quaest.
“Você
vê cada vez mais o grupo do governador Elmano de Freitas associando,
relacionando diretamente o grupo do Ciro Gomes ao bolsonarismo, às lideranças
bolsonaristas, à agenda bolsonarista. E do outro lado, você tem as lideranças
da oposição dizendo que a disputa no Ceará é uma disputa local, que nada tem a
ver com o cenário nacional”, explica o cientista político.
A
disputa no estado vai marcar também o confronto entre os dois nomes
considerados precursores do grupo político há 20 anos no poder no estado: os
irmãos Cid Gomes (PSB) e Ciro Gomes (PSDB), que estão em lados opostos mais uma
vez.
Cid
é considerado o fundador do atual grupo político, a partir da sua
eleição como governador em 2006. Ao fim do seu segundo mandato, Cid indicou
como sucessor Camilo Santana (PT) e, mais tarde, virou senador. O petista
cumpriu dois mandatos de governador e foi eleito senador ao fim.
Camilo,
por sua vez, indicou Elmano, que concorre ao segundo mandato em 2026. O
processo de sucessão de Camilo, porém, marcou o primeiro grande racha dos
aliados - colocando
o PDT e o PT, partidos basilares do grupo, em lados opostos.
Se Cid é descrito por aliados como articulador do grupo, Ciro era apontado como o responsável pelas ideias. Os irmãos, no entanto, romperam em 2022, durante a escolha do sucessor de Camilo. As eleições de 2026, portanto, marcam mais um capítulo da rixa.
Irmãos Cid e Ciro Gomes estão brigados publicamente desde 2022 Foto: Fabiane de Paula/Thiago Gadelha
De um
lado, o senador Cid Gomes vai concorrer novamente ao Senado, a pedido pessoal
de Lula, na chapa de Elmano; enquanto Ciro Gomes vai tentar voltar ao governo
do Ceará após 32 anos da sua última gestão, tendo em sua chapa desafetos de
Cid, como ex-deputado federal Capitão Wagner (União), que concorre ao Senado.
“O senador Cid é uma figura importante de articulação, principalmente no interior do Estado. É considerado o fundador desse grupo que está no poder desde 2006. E, claro, o governo quer fazer um contraponto com o irmão, Ciro”, avalia Cleyton.
g1/CE


Paulo Sergio de Carvalho - Quando a palavra deixa de ser patrimônio