PL apoia o fim da escala 6x1, muda estratégia e provoca reação entre petistas
Com a adesão da oposição à votação, o partido governista perde parte da exclusividade política sobre o tema e passa a dividir os créditos por uma medida que conta com amplo apoio popular
O debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1 ganhou um novo capítulo na política brasileira. Depois de críticas à proposta e tentativas de adiar sua discussão, o Partido Liberal (PL) passou a apoiar o avanço da medida, movimento que acirrou a disputa com o Partido dos Trabalhadores (PT) em torno de uma das pautas trabalhistas de maior repercussão em 2026.
A mudança de postura ocorreu em um momento politicamente delicado, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais. Segundo análises publicadas pela imprensa, lideranças do PL avaliaram que manter uma posição contrária ao fim da escala poderia gerar desgaste eleitoral para o partido e para o candidato Flávio Bolsonaro.
Senado aprova proposta por ampla maioria
Na quarta-feira, 14 de outubro, o Senado Federal aprovou, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal máxima de trabalho para 40 horas, sem redução salarial.
O placar foi de 75 votos favoráveis e apenas um contrário, nos dois turnos. O único voto contrário foi do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). O PL liberou seus integrantes para votar, apesar das divergências anteriores em relação à proposta.
A aprovação representa um avanço importante para os defensores da redução da jornada e amplia a pressão para que a medida seja apresentada como uma conquista política na reta final da disputa presidencial.
Por que a mudança do PL irritou o PT?
A disputa não se resume ao mérito da proposta. O governo Lula e o PT vêm defendendo o fim da escala 6x1 como uma bandeira de valorização dos trabalhadores. Com a adesão da oposição à votação, o partido governista perde parte da exclusividade política sobre o tema e passa a dividir os créditos por uma medida que conta com amplo apoio popular.
Durante a sessão no Senado, o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), também criticou a ausência de Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho, coordenador de sua campanha, no momento da votação.
O que muda para os trabalhadores?
A proposta aprovada prevê a redução gradual da jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial, além de dois dias de descanso remunerado por semana, preferencialmente aos domingos.
Segundo as informações divulgadas após a votação, a transição prevê a redução inicial para 42 horas semanais e, posteriormente, para 40 horas. A implementação depende das etapas legais aplicáveis à emenda constitucional.
Disputa política deve continuar
O fim da escala 6x1 tornou-se um dos principais temas da agenda trabalhista e eleitoral de 2026. De um lado, o PT busca associar a proposta à defesa dos direitos sociais e à atuação do governo Lula. De outro, o PL procura demonstrar que também apoia a redução da jornada, ao mesmo tempo que defende alternativas de flexibilização das relações de trabalho.
Mais do que uma disputa entre partidos, o debate coloca em evidência uma questão central para milhões de brasileiros: como garantir mais tempo de descanso e qualidade de vida sem reduzir salários nem fragilizar os direitos trabalhistas.

Paulo Sergio de Carvalho - Meu Pai, Meu Herói — Sérgio Carvalho, um amor que a eternidade não apaga